Estrada

Prejuízo para além do bolso

Defasagem do preço do frete e acúmulo de aumentos no valor do combustível causam problemas financeiros e insegurança nas estradas

Carlos Queiroz -

Não foi suficiente a mudança na presidência da Petrobras. A posse do general Joaquim Silva e Luna, tida como esperança para caminhoneiros que sofrem com os constantes aumentos no preço do diesel, não impediu que, no início do mês, os combustíveis sofressem novo reajuste - o primeiro da gestão do militar. A situação, acrescida da defasagem da tabela do valor pago pelo frete, causa também insegurança para os profissionais na estrada. Recentemente, as rodovias da região registraram pelo menos dois tombamentos de caminhões, reacendendo o alerta quanto aos cuidados com a manutenção nos veículos.

Em vigor desde o dia 6, o aumento no combustível (6,3% na gasolina e 6,7% no diesel) foi o sexto somente em 2021, justificado pela Petrobras como necessário diante da elevação dos patamares internacionais. Difícil, porém, explicar essa necessidade de aumento para quem depende do tanque cheio para trabalhar. E, mais que isso, depende de ter dinheiro no bolso para conseguir fazer as constantes manutenções, imprescindíveis para aqueles que percorrem milhares de quilômetros diariamente.

Márcio Feijó lamenta a situação. “Hoje eu tenho que escolher entre fazer a revisão, comprar uma peça ou botar comida na mesa da minha família. Está ficando insustentável.” Atualmente, de acordo com ele, o preço do combustível chega a alcançar 70% do valor cobrado pelos fretes.

A taxa paga pelos transportes, ainda na visão de Feijó, é também um problema. Talvez até maior que o dos combustíveis, segundo ele. O piso mínimo é considerado defasado - e muitas vezes nem mesmo é pago -, por não levar em conta os dois últimos aumentos do diesel, em março e agora em julho. “Acho que mais do que cobrar o governo federal, precisamos nos mobilizar enquanto categoria para que nosso ganho seja maior”, enfatiza o profissional.

Feijó, que participou das manifestações ocorridas após o reajuste de março, dessa vez se coloca contra uma possível greve a ser deflagrada nacionalmente. Em nota, a Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam-RS) afirmou que não entende como papel do órgão chamar as manifestações, mas sim defender as pautas junto ao poder público “sem iludir a categoria com falsas promessas”. Entretanto, de forma independente, caminhoneiros realizaram bloqueios em estradas gaúchas há cerca de uma semana.

Riscos

Na região, somente na primeira semana de julho dois casos de tombamento de caminhões foram registrados. No dia 8, o trânsito da BR-392 ficou intercalado em meia pista próximo a Canguçu por 30 minutos para a retirada de veículo. Caso parecido ocorreu na mesma rodovia, porém no quilômetro 59, em Rio Grande, dias antes. Na ocasião, a pista ficou interrompida por 48 horas para desobstrução e limpeza do solo, contaminado pela carga.

Em levantamento publicado pelo Diário Popular no dia 3 de julho, foram apontadas 14 ocorrências de tombamentos de caminhões na Zona Sul, tendo como consequência lesões e uma morte. O maior número desde o primeiro trimestre de 2020. Além do cansaço, comum entre os caminhoneiros, a defasagem de revisões e troca de peças nos veículos foi apontada pelo inspetor-chefe da 7ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fabiano Goia, como um dos motivos para o aumento de casos. A posição do policial é sustentada por dados: nos acidentes registrados na região entre 2020 e 2021, defeitos mecânicos dos veículos e desgaste dos pneus foram apontados como duas das principais causas.

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